quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Demissão surpresa de Oswaldo desagrada jogadores do Santos

Elenco treina visivelmente abatido sem a presença do "paizão". Zinho, gerente de futebol, não havia sido consultado antes da decisão ser tomada

A saída do técnico Oswaldo de Oliveira, sacramentada após reunião na última terça-feira, não agradou ao elenco do Santos. Os maus resultados nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro fizeram o Comitê de Gestão do Peixe optar pela demissão do treinador, mas os jogadores estavam satisfeitos com o trabalho realizado por ele e pela comissão técnica. Além disso, sequer foram consultados sobre o assunto. Alguns jogadores, como o atacante Gabriel, artilheiro do time sob o comando de Oswaldo, já manifestaram publicamente a tristeza com a saída do treinador.

Assim como Oswaldo, os jogadores foram pegos de surpresa pela decisão tomada pelos dirigentes e não gostaram da decisão. Internamente, eles não esconderam a insatisfação após a saída do treinador, que se despediu de todos antes de deixar o CT Rei Pelé e chegou a pedir "desculpas" por qualquer erro que possa ter cometido durante a terceira passagem pela Vila Belmiro.

Desde sua chegada, em janeiro, a relação com o elenco sempre foi amigável. Nos jogos, Oswaldo não tinha perfil “durão” e procurava orientar os comandados com calma, sem esbravejar.

Pelos jogadores mais jovens do elenco, como Gabriel, Geuvânio, Zé Carlos e Giva, ele era considerado um “paizão”. Entre um treino e outro, no CT Rei Pelé, Oswaldo procurava orientar os garotos, que tinham conversas em particular com ele. Durante as atividades, ele também tinha o mesmo perfil: chamava os atletas, conversava “ao pé do ouvido” e mostrava bom relacionamento com todos.

A decisão de demitir o técnico foi tomada em uma reunião do Comitê de Gestão. O gerente de futebol do Santos, Zinho, inclusive, não foi consultado, assim como o elenco e a comissão técnica. Robinho e Mena, que defendem as seleções brasileira e chilena, respectivamente, em amistosos, não se despediram do comandante.

O restante do elenco foi comunicado que não seria mais dirigido por Oswaldo antes do treino da última terça-feira, no CT Rei Pelé. Durante a atividade, todos os jogadores que foram a campo não conseguiram esconder o abatimento por causa da notícia. Os auxiliares Marcelo Fernandes e Edinho, filho do Pelé, comandaram o trabalho.

Farpas 

Com os dirigentes, porém, a relação não era tão boa quanto com os atletas. Desde a chegada dele, reclamou de contratações e uma possível falta de força do Alvinegro nos bastidores. Em entrevistas coletivas, criticou o Comitê de Gestão por não ter conseguido manter Montillo e Cícero no elenco e não ter cumprido a promessa de adquirir o atacante Vargas no início do ano. Isso teria sido prometido a ele antes da chegada ao clube.

Recentemente, após a derrota por 2 a 1 para o São Paulo, no Morumbi, Oswaldo de Oliveira comparou os dois elencos. Apesar de não ser incisivo, ele deixou nas entrelinhas que o Tricolor possui mais opções e usou isso como argumento para a derrota no clássico. As declarações do treinador sempre irritaram os dirigentes. 

Globoesporte.com

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