O clássico Corinthians e Santos completou cem anos de história e o torcedor
dos dois times deve ter saído do Morumbi com a certeza de já ter visto duelos
melhores. Apesar da presença das principais estrelas dos dois lados, os rivais
fizeram um duelo morno em campo e não saíram do 0 a 0 pelo Campeonato
Paulista.
Com isso, após dez rodadas de Estadual o Santos assume, ao menos por
enquanto, a terceira colocação da tabela, com 18 pontos e vantagem no saldo de
gols em relação ao Botafogo-SP, quarto. Já o Corinthians soma apenas 15 e pode
até sair do grupo dos oito que se classificam para a etapa seguinte, dependendo
dos outros resultados do fim de semana.
Além de não condizer com a história do clássico, o duelo deste domingo também
não refletiu a importância que ele tinha para os dois lados. O Santos tinha de
vencer para tirar um pouco da pressão sobre o técnico Muricy Ramalho, enquanto
para o Corinthians o triunfo seria um ótimo combustível para a Libertadores e
uma válvula de escape para a crise extracampo.
Só que nenhum dos dois lados fez por merecer essa reviravolta dentro do
gramado, embora o Corinthians tenha sido superior em quase todo o confronto.
Neymar, grande estrela da equipe da Vila Belmiro, foi anulado pelo zagueiro Gil
e teve uma atuação muito abaixo da média. Pelo Corinthians, Alexandre Pato até
tentou fazer sua parte, mas viu seus companheiros falharem em lances decisivos e
também não conseguiu tirar o zero do marcador.
Para o Santos, o clássico não serviu nem para lucrar com o palco diferente.
Pensando em um possível lucro com o torcedor que vive na capital, a diretoria
decidiu cumprir a pena imposta à Vila Belmiro pelas moedas atiradas no clássico
contra o São Paulo no Morumbi. O tiro saiu pela culatra, e apenas 17 mil
pessoas, sendo cerca de dois mil corintianos, foram ver o clássico.
Os entusiastas de Neymar e companhia até começaram comemorando. O Santos
começou o jogo melhor. Na base do abafa e em cruzamentos de bola parada, o time
chegou até a abrir o placar, só que Cícero estava impedido quando cabeceou para
o gol aos 5 minutos. O lance pareceu acordar o Corinthians.
Com paciência, o time de Tite começou a trocar passes no campo de ataque e
usou e abusou da frágil marcação santistas nas duas laterais. Renato Augusto, o
melhor em campo a esta altura, deu pelo menos dois dribles desconcertantes em
Galhardo e criou várias jogadas.
Só que foi justamente o lateral quem salvou os santistas no primeiro grande
lance do jogo. Aos 33 minutos, Pato encontrou Paulinho na esquerda e o volante
cruzou rasteiro. Guerrero fechava livre para abrir o placar, mas Galhardo chegou
antes e conseguiu bloquear seu chute, mandando para escanteio.
Minutos depois, de novo Pato se destacou. Ele recebeu de Renato Augusto na
entrada da área, girou com muita categoria sobre a marcação e deixou Paulinho
livre. O volante demorou a bater e tentou se livrar de Rafael, mas acabou
mandando a bola nas mãos do goleiro santista.
Apesar das chances, o jogo não empolgou. Os dois times criaram pouco, focaram
muito na marcação e estiveram longe de apresentar um espetáculo agradável. No
intervalo, o que pareceu uma injeção de ânimo nas duas equipes até ameaçou
animar o confronto.
O Santos de novo começou fazendo pressão, mas foi o Corinthians que teve a
grande chance aos 4 minutos. Com extrema categoria, Ralf lançou Renato Augusto
de trivela. O meia tentou bater de cobertura, mas acabou chutando por cima do
gol de Rafael.
A reação do Santos viria com Neymar, se ele não estivesse em uma tarde tão
pouco inspirada. Em duas bolas seguidas, ele reclamou falta de Gil em lances nos
quais exagerou na individualidade. No segundo deles, chegou a pedir um pênalti,
levou amarelo do juiz e está suspenso para o próximo jogo.
Mais uma vez, a partida se acalmou. Único a ainda ter gás pelo Corinthians,
Pato chegou forçar Rafael a jogar como líbero após um chutão de defesa. Pelo
Santos, foi Marcos Assunção quem assustou ao acertar uma falta no travessão de
Cássio aos 33 minutos. E foi só.
Agora, o Corinthians viaja para o México ainda neste domingo, onde enfrenta
na próxima quarta o Tijuana, quase na fronteira com os Estados Unidos, pela
Libertadores. Já o Santos tem mais uma semana de folga e volta a campo no fim de
semana que vem, pelo Paulista, contra o Atlético de Sorocaba
Uol Esporte

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