quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Crise financeira volta a assombrar Santos, que ouve cobranças, mas resiste à saída de atletas

Sánchez é avaliado pelo Palmeiras, e clube tenta evitar que Soteldo parta para o Atlético-MG

Por Globoesporte.com

A crise financeira volta a assombrar o Santos. O clube, vice-campeão brasileiro no ano passado, iniciou a temporada de forma turbulenta fora de campo, com reclamações de atletas e o risco de perder jogadores importantes, como Soteldo e Carlos Sánchez.

O começo de 2020 é sequência de um confuso fim de 2019.

Na penúltima rodada do Brasileiro, jogadores tornaram públicas cobranças por pagamentos atrasados. Após o campeonato, Santos e Jorge Sampaoli se separaram de forma litigiosa.

Mesmo após ouvir que o clube teria pouco dinheiro para investir na temporada seguinte, o treinador argentino cobrou R$ 100 milhões em contratações para continuar na Vila Belmiro. Ouviu que não seria possível, despediu-se do time, mas foi à Justiça do Trabalho sob alegação de que o Santos lhe deve o FGTS (Fundo de Garantia sobre Tempo de Serviço).

Na janela de transferências, o Santos foi discreto: contratou Raniel, em troca com o São Paulo, que ficou com os direitos de Vitor Bueno, e o lateral Madson, em troca com o Grêmio por Victor Ferraz.

Por outro lado, perdeu Gustavo Henrique, que recusou renovação e se transferiu para o Flamengo. Jorge, outro titular de Sampaoli, voltou ao Monaco após empréstimo.

O sonho de reforçar o caixa na pré-temporada também foi frustrado. Lucas Veríssimo, o principal candidato a ser vendido, recebeu apenas sondagens por enquanto – e as principais janelas de transferência da Europa já se fecharam.

Soteldo tem proposta do Atlético-MG — Foto: Ivan Storti/Santos FC

O Santos, agora, tem que se defender do assédio de rivais locais.

O Grêmio foi o primeiro a tentar tirar um dos pilares do Santos: os gaúchos sondaram o meia Carlos Sánchez, que tinha dinheiro a receber dos santistas. Por enquanto, ele continua na Vila Belmiro.

Nesta quarta-feira, o GloboEsporte.com publicou que o uruguaio também faz parte de uma lista de jogadores analisados pelo Palmeiras.

Segundo o "Lance!", o Santos só acertou metade da dívida de cerca de R$ 1 milhão que tem com o jogador, sendo que o restante deve ser parcela.


Agora é Soteldo quem aparece na lista de desejos de um adversário – no caso, o Atlético-MG, que ofereceu o equivalente a R$ 51 milhões pelo atacante venezuelano.

O Santos resiste, mas sofre pressão do Huachipato, clube chileno que detém 50% dos direitos de Soteldo.

O Huachipato afirma haver uma cláusula que obriga o Santos a vender Soteldo caso receba uma proposta de US$ 12 milhões (R$ 50,8 milhões), como a do Atlético-MG. Caso contrário, os brasileiros são obrigados a pagar US$ 6 milhões (R$ 25,4 milhões) aos chilenos pela metade dos direitos nas mãos do Huachipato.

Ao UOL, na última quarta, Soteldo cobrou o Santos:

– Pedi ao presidente que cumpra com suas responsabilidades econômicas – disse o atacante, que reforçou estar feliz no clube, sem descartar a saída.

O Santos nega dívidas com Soteldo. Dirigentes interpretaram a cobrança como uma referência a valores que o clube deve ao Huachipato.

E há Cueva.

O meia peruano, que chegou no ano passado (fez 17 jogos e nenhum gol) e foi afastado por problemas de comportamento, briga com o Santos para se transferir ao Pachuca, do México.

Ele afirma estar livre, sem vínculo com o Santos. E o clube brasileiro pode ficar sem o jogador, mas com a responsabilidade de pagar US$ 7 milhões (cerca de R$ 29 milhões) ao Krasnodar, da Rússia, de onde tirou o peruano em 2019.

O Pachuca já pediu à Fifa a transferência de Cueva, mas a entidade deu prazo até o dia 10 de fevereiro para o Santos se manifestar.

Questionado, o Santos não respondeu à reportagem.

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