quinta-feira, 25 de março de 2010

Teixeira rebate Comissão Fiscal e vê conotação política no relatório


Ex-dirigente diz que poderia ter vendido jogadores para deixar clube sanado, mas optou por um time forte


O ex-presidente do Santos, Marcelo Teixeira, rebate, ponto a ponto, os problemas apontados pela Comissão Fiscal do clube, que recomendou aos conselheiros santistas que reprovem as contas de 2009, último ano da administração de Teixeira. Nesta quinta-feira, a partir das 20h30m (horário de Brasília), o Conselho Deliberativo do Peixe irá analisar o relatório da Comissão Fiscal, em reunião que promete ser polêmica.


O relatório aponta uma dívida de R$ 177 milhões. Mas Teixeira afirma que grande parte desse valor se refere a dívidas fiscais (FGTS, Imposto de Renda, etc.) que já foram renegociadas. - Esses valores já foram acordados com os respectivos credores, através de Refis e da Timemania. Portanto, são valores com previsão de quitação a longo prazo, não comprometendo o caixa do Santos - afirma o ex-dirigente, por e-mail.


Teixeira afirma ainda que os quase R$ 43 milhões devidos a bancos são administráveis. Ele diz que poderia muito bem ter vendido alguns jogadores no fim de sua administração e deixar as finanças do clube sanadas. No entanto, argumenta ter privilegiado a qualidade da equipe. - Consideramos o valor de mercado de vários jogadores do atual plantel do Santos, que foram mantidos para garantir melhores resultados em campo, como vemos hoje. Optou-se, portanto, em assegurar um bom desempenho desportivo do time ao invés de se buscar somente saldos financeiros.


Outro ponto polêmico do relatório da Comissão Fiscal trata da divisão dos direitos econômicos de sete atletas entre o clube e o DIS Esportes e Organização. O documento diz que o Peixe vendeu 25% desses jogadores (entre eles Neymar, André e Paulo Henrique Ganso) por valores muito abaixo do mercado. Pelo parecer da Comissão Fiscal, o Peixe, com essa negociação, perdeu dinheiro. Teixeira, porém, diz que a parceria com o DIS é muito vantajosa para o clube e, somente por causa dela, foi possível ao Peixe manter esses jogadores no elenco.


- O DIS assegurou a permanência de vários atletas no clube, diante da realidade imposta pela Lei Pelé, pois, para assinar seu primeiro contrato profissional, o atleta pede participação em seus direitos econômicos em uma futura venda. Na verdade, o DIS comprou as parcelas que pertenciam aos jogadores com a condição de que eles ampliassem seus vínculos com o clube. Além disso, o Santos se mantém com a maior parte dos direitos sobre esses jogadores.


O ex-dirigente revelou ainda que o Peixe precisava de recursos para investir no clube e, por isso, recorreu ao DIS. Em troca, a empresa ficou com partes de alguns atletas da base, Alan Patrick e André.

Por fim, Marcelo Teixeira questiona a competência da Comissão Fiscal para análise dos números do clube. Ele explica que a empresa de auditoria contratada por sua gestão recomendou a aprovação do balanço, analisando os números de 2009 mês a mês, entre janeiro e outubro. Teixeira aponta que a Comissão, em seu parecer, admite que não foi possível acompanhar, mensalmente, as contas de 2009.


- Isso deixa clara a conotação política desse relatório. A Comissão Fiscal, que conta apenas com um contador, reprova um balanço que foi auditado e aprovado por uma empresa especializada e independente. Como eles podem recomendar a não aprovação se reconhecem que não tiveram muito tempo para analisar o balanço? – questiona.

Os números serão apresentados aos conselheiros nesta quinta. Se a maioria acatar o relatório da Comissão Fiscal e reprovar o balanço, Teixeira correrá o risco de responder judicialmente pela dívida.


Globoesporte.com

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