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sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Com as horas contadas? Campanha critica Globo e combate jogos às 22h

Torcedor do Santos aguarda ônibus após jogo na Vila (Foto: Reprodução/Facebook)  

Com direito a faixas, torcedores iniciam campanha de combate aos jogos das 22h, questionando poder da Rede Globo e falta de infraestrutura para quem vai aos estádios 

Não é de hoje que os jogos de futebol às 22h causam polêmica entre torcedores brasileiros. Desta vez, uma campanha criada por pessoas ligadas a torcidas organizadas e não-organizadas promete bater de frente com a CBF e a Rede Globo em busca de uma limitação de horário para as partidas.

A campanha "Jogo 10 da noite, NÃO" foi criada na primeira semana de setembro. Em menos de um mês, a página no Facebook já conta com mais de 5,2 mil simpatizantes. Fora da internet, torcedores também já aderiram: inúmeros adesivos e até algumas faixas já foram vistas em arquibancadas.

Quem está por trás da mobilização são participantes de um coletivo chamado Futebol, Mídia e Democracia, que visa discutir relações entre mídia e futebol. O grupo defende, entre outros tópicos, o fim da centralização de poder da Rede Globo na definição dos horários dos jogos. O principal motivo para a manutenção das partidas às 22h é a transmissão da novela das 21h.

Em entrevista concedida ao LANCE!, Thiago Cassis, coordenador do coletivo, explicou a motivação para a criação da campanha:

– O futebol é uma construção do povo brasileiro. Por que um jogo em um estádio lotado é tão bonito? Porque as pessoas nas arquibancadas trazem as cores para o futebol.

– A campanha trata de defender a essência do que fez o futebol brasileiro se tornar uma referência no mundo todo. Ou seja, o futebol como verdadeiro esporte do povo. E, portanto, acessível ao povo, inclusive às pessoas que não têm muito dinheiro.

Os principais problemas ligados às partidas das 22h dizem respeito ao período pós-jogo. O apito final acontece próximo da meia-noite, e torcedores que saem dos estádios encontram dificuldade para utilizar transporte público. A falta de segurança por conta do horário é outro questionamento.

FIM DOS JOGOS ÀS 22H JÁ FOI PROJETO DE LEI

A polêmica envolvendo os jogos das 22h não é recente. Em 2011, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou um projeto de lei que estipulava 23h15 como horário máximo para o término das partidas. A ideia, porém, foi vetada pelo então prefeito paulistano Gilberto Kassab.

Em 2014, a Câmara dos Deputados chegou a analisar três novos projetos de lei que visavam limitar o horário dos jogos em âmbito nacional. Mais uma vez, não houve avanço.

Ao assumir a presidência da CBF, em abril deste ano, Marco Polo Del Nero chegou a sinalizar o fim dos jogos às 22h. A ideia seria propor à Rede Globo partidas às 21h30.

– Lá atrás, o horário das 22h era o melhor para o torcedor, tinham estatísticas nesse sentido. Hoje isso mudou – disse, na ocasião.

Lancenet

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