sábado, 30 de maio de 2009

Peixe deixa medalhões de lado e vai ao mercado em busca de revelações

Na Foto: Nikão 16 anos, deixou a base do Palmeiras para defender o time sub-20 do Peixe

Clube aposta em garotos desconhecidos, mas com potencial, para garantir mais um período de bonança em alguns anos

O Santos tem a tradição de ser um berçário de craques. O clube tem história em revelar jogadores que chegaram à Vila Belmiro muito jovens. Foi assim com Pelé, Robinho, Neymar... Agora, o Peixe dividiu o seu foco. Além de investir na formação de novos jogadores, o Peixe também está saindo ao mercado para contratar revelações de outras equipes.

A lógica é simples: como não há dinheiro para investir em jogadores formados, muito menos em medalhões, o clube faz uma varredura nos talentos de outros clubes. Os aprovados são procurados, recebem propostas e acabam de ser formados no clube.

O custo acaba sendo menor, pois o Peixe recebe os atletas já em fase final de formação, e o retorno é alto, pois o clube estabelece contratos longos, paga bons salários e, assim, estabelece multas milionárias. Além de trazer jogadores de clubes do interior, como Wellington Tindurim, que chegou do Paulista, de Jundiaí, com o aval de Pelé, o Peixe contratou jogadores de seus principais rivais:

O atacante Nikão, de 16 anos, veio do Palmeiras, o meia Elivélton, de 17, saiu do Corinthians. Já o zagueiro Paulo Henrique, de 16 anos, veio do São Paulo. A maioria chega para os times de base. Dois deles, o zagueiro Eli Sabiá, de 20 anos, e o volante Alan, de 18, vieram direto ao time principal.

A busca é contínua e, nesta semana, o clube está fechando as contratações do volante Sacha, capitão do Corinthians na Taça São Paulo de Futebol Júnior desde ano, e do lateral-direito Crystian Carvalho, do Vila Nova-GO e da seleção brasileira sub-17. Ambos irão reforçar, por enquanto, o time sub-20. Há rivais acusam o Peixe de aliciamento, mas o diretor de futebol do Santos, Adílson Durante Filho, explica que tudo o que o Alvinegro faz é se manter atento. - Hoje em dia, existe um mercado na base.

Os jogadores têm empresários, têm contratos normais e estão abertos a negociações. Tanto que tem jogador com 16, 17 anos que já passou por vários clubes. Isso não acontece porque ele é dispensado, mas porque tem propostas melhores - explica. Salários altos
Durante afirma que os jogadores optam pelo Peixe pela tradição que o clube tem em formar jogadores de sucesso e pela boa estrutura que mantém para a base. Mas não é só isso. Existe o fator financeiro.

Alguns garotos que ainda estão nos times sub-15, sub-17 e sub-20 recebem salários de profissionais. - Para trazer um jogador de 14, 15 anos, muitas vezes de longe, é preciso dar uma estrutura. Ele vem com o pai e mãe, que, normalmente, têm de largar seus empregos para ficarem com o filho. Então, temos de gastar mais. Não estamos trazendo só o menino, mas toda a sua estrutura familiar.

Não adianta jogar o atleta dentro de um alojamento e deixá-lo lá. Ele não vai render nada - comenta o dirigente. O clube banca apartamento, escola para os garotos e paga uma ajuda de custo que garante o conforto da família. Além disso, o salário alto serve para que estabeleça multas rescisórias elevadas.

- Se você tem um jogador na base de muito talento e ele tem salário baixo, automaticamente a multa será baixa. Então, qualquer um vem e leva o jogador - explica o diretor de futebol santista. Todo esse investimento, segundo o dirigente, vale à pena.

Como sempre, o exemplo é a geração de Robinho, Diego, Renato, Elano, entre outros, que renderam cerca de R$ 180 milhões ao clube.- E continuam rendendo. Como clube formador, o Santos está para receber R$ 2,2 milhões pela venda do Diego (do Werder Bremen-ALE para a Juventus-ITA). Por isso, eu acho que não é despesa. É investimento - conclui.

Globoesporte.com

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