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sexta-feira, 30 de junho de 2017

Presidente do Santos diz que fundo admite ter enviado proposta "fake" por Lucas Lima


Segundo Modesto Roma, declaração sobre oferta do Crystal Palace foi feita em reunião para discutir acordo entre o clube e a Doyen, em abril. Intenção seria gerar provas para disputa judicial milionária

O presidente do Santos, Modesto Roma Júnior, afirma que ouviu do principal executivo do fundo Doyen Sports Investment, Arif Arif, numa reunião em Barcelona, em abril, que sua empresa entregou ao Alvinegro uma proposta do Crystal Palace pelo meia Lucas Lima que sabidamente não prosperaria. O dirigente santista contou que o empresário usou o termo "fake" (falso, em inglês) para se referir à oferta inglesa.

– Isso foi dito. Ele (Arif) me disse que era uma proposta “fake”, que não condizia com a realidade – disse o presidente alvinegro.

Para o dirigente do Santos, o grupo Doyen, que detém 80% dos direitos econômicos do meia, teria influenciado a equipe inglesa a enviar ao Santos uma oferta que já havia sido rejeitada pelo atleta dias antes. Daí o termo "fake". Os santistas desconfiam que a Doyen usará a proposta recusada como prova nas ações judiciais em curso contra o Santos no Brasil.

Por contrato, o Peixe tem de apresentar à empresa as propostas que receber por Lucas. A atual gestão, porém, considera inválidos os contratos assinados com o fundo na administração passada. Essa é a alegação para não enviar qualquer comunicado sobre a recusa da oferta.


Modesto Roma em evento do Santos (Foto: Ivan Storti / Divulgação Santos FC)

No último dia 4 de abril, um dia antes de Modesto viajar a Barcelona, onde se reuniu com Arif, a Doyen enviou notificação ao Santos em que aponta quebra de contrato por parte do clube por não ter informado a empresa se havia aceitado ou recusado o que foi oferecido pelo Crystal Palace.

Na Espanha, Modesto sugeriu acordo para encerrar as disputas entre as duas partes. O Santos ofereceu pagar 20 milhões de euros (cerca de R$ 74 milhões) em cinco anos – o valor, nas contas do clube, é o que foi investido pela Doyen, com juros menores do que os de 10% ao ano previstos nos contratos.

Foi nesta primeira rodada de negociações que Arif, segundo Modesto, teria dito, para surpresa inclusive dos que o acompanhavam, que a proposta do Crystal Palace era “fake”.

Procurados desde a última segunda-feira, advogados da Doyen no Brasil informaram por meio de sua assessoria de impresa que "não tiveram retorno" da empresa para comentar o episódio. O empresário Renato Duprat, representante do fundo no país, não quis fazer muitos comentários. Apenas colocou em dúvida o relato do dirigente santista.

– Você acha que ele (Arif) faria isso? Está tudo nas mãos do jurídico – disse.

A assessoria de imprensa do Crystal Palace informou que a direção do clube não vai se pronunciar.

Proposta em cima da hora

A proposta do Crystal Palace foi entregue pela própria Doyen ao Santos na antevéspera do fechamento da janela do meio de ano de 2016. Ela chegou por meio de Nélio Lucas, braço-direito de Arif, e passou pelas mãos de Renato Duprat, representante do grupo no Brasil. Duprat, por sua vez, encaminhou o e-mail ao Santos – a proposta chegou ao clube às 17h13 de 29 de agosto (veja reprodução abaixo). Ela é endereçada a José Ricardo Tremura, diretor jurídico do clube.


Proposta do Crystal Palace a Lucas Lima do Santos apresentada em agosto de 2016 (Foto: Reprodução)

Lucas Lima já tinha sido procurado pelos ingleses e, quatro dias antes, havia rejeitado a hipótese de se mudar para Londres. Globoesporte

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