No peito e na alma !

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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Único técnico remanescente de 2015 na Série A, Dorival confirma ofertas de rivais, condena mercado, revela plano europeu...



Poucas profissões no Brasil são tão arriscadas quanto a de técnico de futebol. Entre os 20 clubes da Série A, por exemplo, somente o Santos têm o mesmo comandante desde o fim do ano passado de forma ininterrupta: Dorival Júnior completou um ano no cargo em 9 de julho. Em entrevista exclusiva ao Blog, o campeão paulista lamentou a dança das cadeiras, falou dos boatos de que Luxemburgo poderia sucedê-lo na Vila Belmiro, admitiu ter sido procurado por cinco adversários do Peixe… O paulista de Araraquara, hoje com 54 anos, ainda demonstrou o desejo de trabalhar na Europa, mesmo que por um time pequeno, confirmou o desapontamento com a saída do Palmeiras, em 2014, e descartou seleção brasileira.

BLOG: Qual a sensação de ser o único técnico da Série A que segue no mesmo clube desde o ano passado? 
DORIVAL JUNIOR: Pessoalmente, é uma marca importante, mas profissionalmente me deixa muito triste. Isso mostra que continuamos indo pelo caminho errado, apesar de dizerem que as coisas estão mudando. O resultado da quarta e do domingo é que define a vida do treinador.

Sentiu-se ameaçado de demissão desde que foi contrato, em julho de 2015?
Sinceramente, não. Ouvi uma ou outra notícia, que pareceu mais plantada. De vez em quando surgem umas bobagens (o último boato deu conta de que gente dentro da diretoria queria a volta de Luxemburgo, no mês passado). Mas nunca tive problema com a diretoria e o próprio presidente (Modesto Roma) garantiu que não existiu (a chance de Luxemburgo o substituir).

Seu contrato só termina em dezembro de 2017. Dá para cravar que você fica até o fim?
Vou fazer de tudo para ficar. Da minha parte, a relação é respeitosa e muito profissional. E nunca fiz isso, de sair de um clube para pegar outro na minha carreira.


É verdade que você teve várias ofertas do Brasil e de fora nos últimos meses?
Teve bastante coisa, sim. Existiu um negócio muito bom da China, três ofertas do mundo árabe. Do Brasil, foram cinco equipes que ligaram para sondar a situação. Sabe como é: liga uma pessoa conhecida e pergunta se toparia.

E você ficou balançado com algum dos interessados no Brasil?
Nem abri negociação. Até porque o clube que queria me contratar não gostaria que eu fizesse o mesmo com ele em um futuro próximo.

Pode revelar quais clubes brasileiros o quiseram?
Prefiro não falar em nomes.

O Dorival Junior ainda sonha com o que na carreira?
Diferente daquilo que ouço, de que vida tem que ser planejada, nunca preparei nada. Deixo as coisas acontecerem. Minha preocupação é sempre em deixar um grande trabalho, com uma base.

Mas não pensa em trabalhar na Europa ou dirigir a seleção brasileira?
Gostaria de trabalhar na Europa, mas aí esbarro na dificuldade que o treinador brasileiro tem. Aqui não há curso de formação de técnicos, ou seja, não temos licença da Uefa. então não da para entrar na Europa. Mas é um objetivo que tenho: independentemente da divisão, se o time é pequeno ou médio, quero esse desafio de trabalhar na Europa.

E seleção?
Nunca pensei. Para que isso aconteça, tem que haver uma série de fatores. Primeiro, você precisa consolidar excelentes trabalhos, como fez o Tite. Além de ter mandado bem, ainda são mais de 20 anos como profissional. Era o momento dele.

Há quem garanta que você nasceu para dirigir o Santos, por sua característica ofensiva e vocação para trabalhar com a base. Como vê isso?
Acho que tenho algumas ligações importantes com o Santos, mas sou muito sincero: todos os trabalhos em que tive tempo de montar o elenco, alcancei resultados. A exceção foi na segunda passagem pelo Vasco, quando não deu para treinar, a gente não jogou em São Januário…

Tem algum trabalho seu que considera o melhor?
A montagem do Sport em 2006. Quando cheguei, o clube tinha só cinco jogadores e fui montando aquela equipe que ganhou o estadual seis vezes seguida, além do título da Copa do Brasil e o acesso para a Série A.

Essa segunda passagem pelo Santos está entre as principais?
Certamente, está entre as três melhores. E não são apenas os resultados que mostram isso, mas a estabilidade grande que o trabalho garante. Há muito tempo que o Santos não vivia essa situação, com vários jogadores convocados para a seleção, sendo vendidos por milhões…

Você saiu do Palmeiras reclamando, no fim de 2014. Voltaria a trabalhar lá com Paulo Nobre e Mauricio Galiotte?
Voltaria numa boa, se acontecesse uma sequência. Tenho respeito grande pelo presidente, mas, no momento do acerto com o Palmeiras, me foi prometido que eu teria a oportunidade de iniciar um trabalho no ano seguinte. O clube vivia uma situação difícil, com 44 atletas, oito estrangeiros… Eu não tinha pressa para chegar ao Palmeiras.

Aí, depois de evitar o rebaixamento, você foi mandado embora em dezembro, quatro meses antes do fim do contrato.
É, optaram por outro caminho. Respeito e não questiona, mas ficou chateação e frustração nesse sentido. 


Como é ter seu filho, o Lucas, como auxiliar-técnico: Vocês só falam sobre futebol? Brigam muito?
Das 7h da manhã, hora em que eu chego no CT, até as 21h, quando em geral vou embora, falamos essencialmente do Santos. Mas, fora disso, a gente evita. Cada um tem seu apartamento, sua vida… É até natural que em um almoço de família se fale do Santos, mas a gente tenta evitar. Meu outro filho, o Bruno, virou administrador, mas também gosta e conhece demais futebol.

O Santos está só a dois pontos do Atlético-MG, que hoje é o 3º colocado. Estar no G3 é um objetivo, para fugir da pré-Libertadores?
Eu não me preocupo com isso ainda, até porque não descartei a briga pelo título. Sei que é difícil, mas tenho comigo que ainda dá para buscar (se o Palmeiras vencer o lanterna América-MG hoje, abrirá nove pontos, a nove rodadas do fim). 


Porém, na prática, vocês já livraram nove pontos para o 7º colocado, primeiro time fora da zona de Libertadores.
É uma coisa importante, por causa da mudança de regulamento. Mas não estamos olhando muito para baixo. Queremos ser o terceiro, depois o segundo e o primeiro.

No ano passado, em meio à briga pelo Brasileiro e Copa do Brasil, você priorizou o torneio de mata-mata. Pode preterir algum dos torneios agora?
Vai depender muito do que os exames com os jogadores apontarem. No ano passado, a gente vinha de uma sequência muito dura, com 12 jogos na chuva e lama. Mesmo poupando, ainda perdemos o David Braz por lesão muscular. E ele estava sozinho.

Para terminar: o que aconteceu para a saída do Marcelo Fernandes da sua comissão técnica?
Nunca tive nenhum problema, embora falaram que eu vinha tendo. Sempre o respeitei e o admirei muito, mas foi uma situação inusitada. Não perdi o respeito pela pessoa, pelo profissional, mas ocorreu uma situação interna e preferi que fosse resolvido dessa maneira. 

Por Jorge Nicola

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