No peito e na alma !

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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Dorival abre o jogo e relembra em detalhes discussão polêmica com Neymar


O técnico Dorival Júnior vive uma grande fase em sua carreira, que faz lembrar o seu ótimo desempenho no comando do Santos em 2010, quando teve o projeto interrompido por causa de um embate com o atacante Neymar.

Cinco anos depois, em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, Dorival Júnior abre o jogo sobre a crise com o principal astro do futebol brasileiro. O técnico revelou que o problema de Neymar não era com ele e, sim, com os lideres do elenco – Edu Dracena e Roberto Brum. O treinador admitiu que o vestiário do jogo contra o Atlético-GO, após ser xingado por Neymar em campo, foi o pior de sua carreira. Dorival ainda afirmou que todos os jogadores, na época, queriam a punição de Neymar.

Além da polêmica com Neymar, Dorival Júnior comentou sobre como tem sido comandar o time atual que faz sucesso no Brasileiro e na Copa do Brasil, falou sobre a crise do futebol brasileiro e comentou a possível volta de Ganso e Robinho. O treinador opinou também sobre outros assuntos, como os valores sociais dos jovens. Para ele, a família e a educação no país estão falidas e isso reflete no futebol brasileiro. Ele criticou a superexposição das pessoas pelas redes sociais e mídia.

Confira na integra a entrevista com Dorival Júnior:
UOL Esporte: O assunto Neymar te incomoda em sua carreira?
Dorival: De maneira nenhuma.

UOL Esporte: Como você analisou a forma que a mídia tratou o caso naquela época?
Dorival: De um modo geral, procurei ficar um pouco afastado das notícias, sou muito sincero, procurei não ver muita coisa. Vi tudo o que se passou no dia seguinte do episódio. Quando eu chamei a diretoria do Santos, na figura do Pedro Luiz (diretor de futebol à época), para uma conversa na sexta-feira pela manhã, disse que pensei, analisei, e que precisava tomar uma decisão com o Neymar. O problema todo não foi comigo, se vocês perceberem a situação, ele teve uma discussão muito feia com o Roberto Brum e, em seguida, com o Edu Dracena. Depois, teve o episódio do pênalti, que foi uma situação totalmente a parte. Porque eu havia colocado ao Neymar, que tinha perdido quatro pênaltis em sequência, que continuaria treinando, mas sairia de cena, deixando outro companheiro bater. Não tinha necessidade de uma exposição em um momento desses. E por ele estar alterado com a própria briga naquele instante, se sentiu no direito de pegar a bola e bater. Então, o meu problema com o Ney praticamente começou ali, não foi o real motivo daquela situação. As pessoas não perceberam, depois falaram que teve uma reação séria, mas não foi nada disso, muita coisa se fala, mas tem pouca verdade em tudo isso. Agora, houve uma exposição desnecessária, por outro lado foi muito importante para ele, um episódio que fez com que tivesse um crescimento profissional e pessoal. A todos nós, naturalmente, que foi um fato novo e proporcionou, de alguma forma, um crescimento, mas para ele foi muito importante o acontecido, tenho certeza que o auxiliou na sequência. Sou muito sincero, comigo não ficou nada, muito pelo contrário, tenho um carinho especial por ele, uma torcida muito grande, acredito muito que ele vai ter um reconhecimento ainda muito maior do que já tem nesse momento. É um garoto do bem, de paz e tenho um respeito muito grande por ele.

Neymar esbraveja contra Dorival Jr. na partida contra Atlético-GO, em 2010. Episódio decorreu na queda do treinador

UOL Esporte: A sua atitude foi muito discutida. Alguns achavam que ele já tinha pedido desculpas e não deveria ficar fora de um jogo. Você se arrepende de alguma atitude?
Dorival: Não, de maneira nenhuma. É que as pessoas que analisam tinham que conhecer mais a fundo o que é um dia a dia de um grupo de trabalho. Existe a punição disciplinar e a punição técnica. A técnica ela é a que conta, é a que conta, não é a do técnico, mas aquela perante ao grupo. Os próprios jogadores esperavam uma punição para o Neymar. Não pensem vocês, independentemente da importância que tem um atleta dentro de um elenco, que ganhará privilégios perante a maioria. Não existe isso, existe quando se superprotege, quando tentam camuflar e esconder, não enfrentam a situação, não a resolvem. Isso existe, e muito. Naquele momento foi público, todos sabiam do acontecido e o próprio clube esperava uma posição. Então é a típica situação assim: houve uma punição disciplinar, uma multa por parte da diretoria, mas e a comissão técnica fez alguma coisa? Daqui a 30, 60, 90 ou 120 dias outro atleta se vê no direito de tomar uma posição semelhante. E quando você vai tomar, também, uma posição sem que lá trás tenha feito a mesma coisa, a primeira coisa que vai fazer é o grupo todo me cobrar pela falta de atitude lá trás, além da atitude agora. As pessoas não têm ideia disso, é muito fácil você sentado aqui dizer: aconteceu isso? Então nós vamos olhar por esse lado e ponto. Esse é culpado, esse é inocente, e o brasileiro rotula com uma facilidade muito grande. Sem conhecimento de causa, é um absurdo o que acontece. Para nós que estamos vivendo aquela situação, que estamos no dia a dia do clube, não faria nada ao contrário do que fiz, em momento nenhum. As atitudes seriam as mesmas porque a minha atitude com um atleta de ponta é a mesma que a com um garoto da base subindo. Seria muito desleal se fosse diferente em posições. Graças a Deus na minha vida tenho alguns princípios que costumo seguir, e que não abro mão. Mesmo que custe o meu trabalho, emprego, alguns resultados, isso para mim não importa.

UOL Esporte: Você acha que o Santos passou a mão na cabeça dele demais e depois pagou por isso?
Dorival: Talvez, não, talvez não tenha sido isso. O episódio da minha saída logo depois foi um equívoco muito grande, uma falta de informação. Reuni-me com o presidente, nós chegamos a uma conclusão, mas nem ele perguntou para mim se a punição havia acabado, e nem eu perguntei se ele estava seguro que as coisas continuariam e que depois ele seria reintegrado. Não houve esse contato, foi uma falha muito grande de comunicação. Tanto que três dias depois o próprio presidente me ligou reconhecendo que nós bobeamos conjuntamente, foi isso que aconteceu.

UOL Esporte: Valeu a pena porque você não perdeu a autoridade? Prefere ser mais linha dura do que paizão?
Dorival: Até porque eu não sou linha dura. Tenho alguns princípios que sigo e disciplina para mim é necessário em qualquer campo de ação, em qualquer campo profissional e em qualquer grupo de atividade com mais de uma pessoa reunida tem que ter, no mínimo, disciplina para poder fazer com que essas pessoas tenham direitos iguais e, necessariamente, responsabilidades iguais. Paizão? Também não sou, logicamente que chamo, converso, tem hora que afago, tem hora que dou o tapa, acho que precisa disso, nós somos também educadores, mas não me rotulo assim como um ou outro. Precisamos de um equilíbrio dentro da sua profissional e eu nunca tive problemas. Teve também aquela situação do Ganso, que também foi outra, e a do Neymar. Em 15 anos de trabalho será que é tanto problema assim? Com mais de mil jogadores com que já trabalhei, uns dois problemas? São situações pontuais que acontecem porque o dia a dia de treinador de futebol é problema, em cima de problema, as pessoas não tem ideia, pois só veem o time em campo. O campo completa, mas o dia a dia que atrapalha. No dia a dia você precisa estar muito atento, estar a todo o instante conversando, trocando informações, corrigindo aqui, botando um paninho aqui, chamando para cá, é necessário, somos gerenciadores de problemas. Você gerencia seres humanos, precisa ter respeito por eles, dar condições do cara poder se soltar, ao mesmo tempo ter o momento de chamar um pouco mais duro. O grande problema que nós temos se resume ao dia a dia. Na hora do jogo, são mínimos. Alguma coisinha que aconteça é natural que tome uma proporção porque é ali, ao vivo, não tem como esconder, está tudo ali escancarado. O grande problema dos treinadores são os vestiários, o dia a dia, nem tanto o domingo ou a quarta porque, aí sim, são bem menores.

UOL Esporte: Aquele vestiário do jogo contra o Atlético-GO foi, talvez, o mais complicado da sua vida? Dizem que o Neymar ainda jogou uma garrafa no Ivan Izzo (seu auxiliar à época). 
Dorival: Foi pelo episódio em si, mas são pessoas de bem. O próprio Neymar ainda hoje é um moleque, um garoto, tinha a idade do meu filho. Foi um episódio, são profissionais, seres humanos que se respeitam. Acabou acontecendo um fato, que tomou proporção por ser o Neymar. Não deveria ser assim, infelizmente acabou acontecendo, foi importante, todos cresceram com aquilo, todos se prepararam um pouco mais para eventualidades que pudessem acontecer futuramente. Mas desnecessário porque o nosso ambiente era muito bom, sempre foi. A prova disso é que estou aqui há cinco meses, graças a Deus. Tudo o que aconteceu naquele momento, naquela época, eram dez, 11 meses de trabalho, e as coisas vinham muito bem, tudo muito tranquilo, com todos engajados em um propósito. Foi um episódio desnecessário.

UOL Esporte: Você acha que ele mudou hoje? Por que vimos também a rebeldia dele na Copa América?
Dorival: Mudou, acho que esses episódios vão acontecer sempre na carreira de qualquer um. Um detalhe, ou outro, não pode se reportar aquilo que já foi. Aquilo já tem cinco anos, foi outro episódio, completamente diferente, não tem nada ver uma coisa com a outra. Foi importante, sim.

UOL Esporte: Você acha que a educação e a família se perderam com o tempo? E que analogia você faz com o futebol hoje?
Dorival: A mais direta possível. Nós perdemos tudo. São duas as principais bases de apoio de formação de um ser humano, duas das entidades mais respeitadas que nós sempre tivemos em qualquer estrutura de formação de pessoas é natural que sejam família e educação. A educação do país está falida, a educação que não dá o valor, que não prepara. Hoje em dia percebemos que os alunos desacatam os seus professores, os seus mestres, e para a sociedade passou a ser um fato normal. Na família, há muito que estamos comentando a respeito dessa situação, que para mim é a principal, é que isso se desestruturou nesse país. Essa, talvez, tenha sido a maior perda. Juntando tudo isso com o futebol é natural encontrarmos cabeças e cabeças aqui dentro. Cada um busca o seu melhor, tenta encontrar o seu caminho, às vezes não se importando muito com o que está ao seu lado, querendo passar por cima de todo mundo, e não é assim. As pessoas têm que saber que os direitos vão até onde iniciam o de seu companheiro. É uma somatória que mostra que perdemos a essência. Houve uma inversão de valores muito grandes, então tudo o que foi pregado ao longo dos anos. Falta de religiosidade ao país, então tudo isso contribuiu para que, praticamente, acabássemos com o básico do respeito e a disciplina em qualquer área de atividade.

UOL Esporte: Você falou de religiosidade. O Santos um pastor, Ricardo Oliveira, que é o capitão, e você tem a sua religião. Como você lida com isso?
Dorival: Isso é outro assunto que não devo ter interferência, logicamente que não se deve extrapolar. Em qualquer área existem, aqui são 30 profissionais, sendo alguns católicos, outros protestantes, batistas, enfim, temos todos os números possíveis. Acho que as pessoas respeitam o espaço de cada um, e quando isso acontece, vejo de maneira normal, não interfere, cada um cultua a Deus de uma forma. Desde que não esteja agredindo o companheiro ao lado, não vejo problema nenhum, muito pelo contrário. Acho que isso tem que ser difundido entre todos, já que perdemos lá trás entidades que fazem parte direta da formação do ser humano em algum momento precisamos resgatar um pouco esse lado de cada um de nós. Desde que você use de uma maneira equilibrada, que não interfira no companheiro ao lado, as coisas podem caminhar de uma maneira natural.
UOL Esporte: Estamos falando da educação, é difícil comandar um time de garotos?
Dorival: Desde que você tenha dentro do seu grupo pessoas que estejam movidas pelos mesmos objetivos, querendo trabalhar em prol desse grupo, dessa equipe, doando não só o seu lado profissional e técnico, mas, acima de tudo, pessoal, com uma participação maior com um envolvimento. Que eu não digo nem um envolvimento, mas um comprometimento. Porque estar envolvido é uma coisa e estar comprometido é outra, completamente diferente. Desde que haja o comprometimento de todos você acaba criando alguns vínculos importantes dentro do grupo de trabalho. E quanto eles são respeitados, pode ter certeza que todos os que se aproximam começam a comungar das mesmas situações, das mesmas ideias.

UOL Esporte: Você acha que a superexposição na mídia, nos veículos de comunicação e nas redes sociais atrapalha ou ajuda?
Dorival: Acho que mais atrapalha do que ajuda. Hoje em dia, qualquer um entra em uma rede social, já pela covardia de não aparecer, de não botar a cara, às vezes coloca um nome qualquer, ou um apelido qualquer. E aí pode te agredir, falar o que bem deseja sem aparecer, sem se responsabilizar. Então, acho que isso só interfere de uma maneira muito negativa. A exposição é natural, ela acompanha o próprio movimento do mundo. Acho que tudo hoje gira em torno da comunicação, mas tudo tem que ser com limites. E para um profissional que está exposto é natural, talvez, pagar um preço muito caro por isso. Às vezes desnecessária, às vezes necessária, mas acho que temos que encontrar um ponto de equilíbrio. Tudo o que extrapola, acaba prejudicando.

UOL Esporte: Você acha que o brasileiro é soberbo demais no futebol para evoluir?
Dorival: Acho que foi, fomos soberbos. Fomos porque não demos importância, achávamos que seríamos sempre os melhores do mundo, manteríamos essa posição, sempre como berço dos grandes jogadores. Isso é uma verdade, o futebol brasileiro se reinventa, mas temos que ter a humildade de reconhecer que ficamos para trás, que deixamos de ser competitivos e paramos de criar com a intensidade que criávamos jogadores. Nós nunca preparamos grandes jogadores, nós nunca estruturamos os clubes para isso. Não sabemos preparar, fazer a base, os trabalhos das nossas categorias de base sempre foram muito deficitários. Porque nós nunca nos preocupamos em preparar profissionais para trabalhar grandes jogadores e hoje estamos passando por um momento muito difícil. Vemos o vôlei brasileiro na contramão de tudo isso. Quando passou a se preocupar com detalhes de fundamentos: bloquear, recepcionar, sacar, se posicionar em quadra, cobrir. Começamos a ter resultados fantásticos porque sempre fomos um vôlei de ataque e criação, então começamos a mesclar tudo isso. Futebol brasileiro, não, nunca se preocupou. Nunca fomos organizados e agora começam a dizer que só os treinadores não se reciclam. Não temos nem um curso de formação, vou me reciclar aonde? Meia dúzia pode ir para a Europa ver o que está acontecendo, mas não é uma reciclagem, você vai lá para observar, para ver, analisar alguns detalhes de trabalhos. Reciclagem são seis meses, um ano. Nunca nos preparamos nem para formar e as pessoas cobram reciclagem de treinadores de futebol. Vamos fazer aonde? Tem alguma faculdade? Tem algum curso? Não existe, as pessoas falam muito mal do futebol, mas nunca se preocuparam em trazer coisas boas, em criar coisas boas. Todos que estão envolvidos no futebol, todos nós, porque a soberba sempre imperou. Nós sempre fomos os melhores do mundo e perdemos esse posto sem perceber.

UOL Esporte: Você acha que o Santos estaria com uma estrutura diferente e até em relação a títulos se você tivesse continuado em 2010? O que teria mudado para o Santos e para você?
Dorival: É difícil falar alguma coisa, não dá para saber. O caminho estava sendo muito bom, as coisas estavam acontecendo. Entreguei como quarta equipe no Campeonato Brasileiro após perder quatro jogadores fundamentais: Ganso, Wesley, André e Robinho. Estávamos tentando uma recomposição da equipe, uma retomada dentro da própria competição paralela as finais da Copa do Brasil. Então foi um momento complicado, um momento difícil. Eu tinha certeza que na sequência buscaríamos novas soluções, pois estávamos começando a recompor a equipe com as chegadas do Danilo e do Alex Sandro, já se firmando. Comecei a ter opções, tendo o Léo usava o Alex Sandro por dentro, depois o Danilo, também, em um segundo momento. Eram situações que estavam em aberto, mas já havia pedido a contratação do Paulinho, do Bragantino, que acabou não acontecendo, do Bruno César, que estava no Sandro André, que também não ocorreu. Eles reforçariam a equipe até antes da perda desses jogadores, isso teria sido importante, talvez a sequência do Santos fosse equilibrada.

UOL Esporte: Assustou quando você assistiu o jogo contra o Barcelona, vendo um time que você montou, jogando de uma maneira tão frágil?
Dorival: Não é que assustou, é natural sempre torcer por uma equipe brasileira em qualquer situação, em qualquer circunstância. Naquele dia as coisas, realmente, não aconteciam, o Santos não conseguiu jogar, essa é a grande verdade. Independentemente da formação que foi a campo, cada um tem uma opinião, ouvi muitas contestações, muitas sugestões, mas ali quem está trabalhando no dia a dia, como era o caso do Muricy, mais do que ninguém estava capacitado para colocar aquela equipe em campo. De repente, as coisas não aconteceram, mas o Barcelona vivia um momento fantástico com jogadores de alto nível, muito bem encaixados, uma transição perfeita, marcação forte, pressão, fatores que fizeram a equipe ser irreconhecível. Seria muito difícil para qualquer um, em qualquer circunstância, a mudança de um resultado como aquele.

UOL Esporte: Hoje, se fala muito de Ganso e Robinho. Isso é natural para qualquer treinador que trabalha aqui, tem que ouvir sempre essa especulação. Interessaria ou você acha que hoje eles não seriam tão importantes assim?
Dorival: Acho que todo o craque é importante a qualquer time, qualquer situação, para qualquer clube. Está respondido.

UOL Esporte: Quem seria mais importante hoje?
Dorival: Aí é difícil falar, mas os dois seriam sempre bem-vindos e tem as portas abertas no Santos.

UOL Esporte: Você foi para a Europa, o que mudou? O seu time sempre marcou muito na frente, pressão, sempre foi muito ofensivo. O que você trouxe de diferente?
Dorival: Graças a Deus, desde o meu primeiro time, que era o Figueirense, que chegou a ser líder do Campeonato Brasileiro de 2004, sempre tive times ofensivos e que jogaram, nunca abri mão disso. Sempre coloquei meias jogando de volantes, na maioria das vezes. Foi o terceiro ano que fiz isso, vem sendo importante para mim. Tive uma visão um pouco diferente daquilo que se passava dentro do país, podendo constatar algumas coisas que o treinador brasileiro não está tão defasado como todos falam. Claro que algumas novidades ele apresenta, isso é natural. Eles têm pessoas estudando futebol há 30 anos e nós sempre levamos como um entretenimento, essa é a grande diferença. O europeu passou a se preocupar com o futebol, fazendo do futebol um produto, algo vendável que precisa preparar. Preparar uma empresa, a figura do ser humano, para poder formar grandes equipes. Isso dá retorno de mídia, em valores, em marketing, enfim, foi isso que fizeram e se distanciaram das equipes sul-americanas. Hoje qualquer equipe sul-americana vai ter dificuldade para jogar contra eles. Talvez para ganharmos uma final de Mundial de Clubes demore um pouco. Pode ser que aconteça, eventualmente, mas a grande maioria vai ser da Europa, mesmo sem dar a importância que nós damos ao campeonato. O futebol brasileiro já perdeu mais um ano desde a Copa do Mundo, poucas foram as sugestões, muitas as críticas. Poucos sugerem, a verdade é que poucas pessoas recebem no futebol, a grande maioria paga, critica e, de repente, não tem uma sugestão sequer para melhorarmos o futebol em um todo. É uma responsabilidade de todos nós.

Uol Esporte

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