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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Auditoria aponta série de "contratos danosos" no Santos, afirma Modesto


Acordo para a compra de Damião, venda de direitos de jovens revelados na Vila Belmiro e programa de sócios-torcedores estão na mira após devassa de advogados

A crise financeira herdada pela atual administração do Santos fez com que o presidente Modesto Roma Júnior contratasse um escritório de advocacia para analisar contratos assinados pelo clube durante a gestão anterior, de Odílio Rodrigues e Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro.

A investigação realizada nos últimos meses apontou erros e acordos danosos aos cofres alvinegros.

Não há, ao menos por enquanto, indícios de que os prejuízos tenham sido deliberados ou que alguém tenha levado vantagens indevidas, segundo o mandatário santista.

– Acho que foram feitos por falta de conhecimento administrativo. São contratos de má gestão. Em princípio, não há indicações de má-fé, mas má gestão é tão grave quanto – afirma o dirigente, que em janeiro sucedeu Odílio, ex-vice de Luis Alvaro, que renunciou por problemas de saúde.

Ao menos quatro contratos entraram na mira dos auditores do escritório Bonassa Buker, de São Paulo: a contratação de Leandro Damião, a venda dos direitos econômicos do volante Alison, o acordo que deu ao fundo Doyen fatias de Gabriel, Daniel Guedes e Geuvânio, e o vínculo com a CSU, empresa que administra o programa de sócios do clube.

De acordo com Modesto, o Santos não tem mais nenhuma porcentagem dos direitos de Alison, já que negociou os 70% que lhe pertenciam com o banco BMG – o restante está com o atleta (10%) e com seu agente, Giuliano Bertolucci (20%).

A negociação dos outros três jogadores também é polêmica: pouco antes de deixar a presidência, Odílio repassou ao Doyen diferentes fatias de cada um para quitar uma dívida do clube com o próprio fundo.

O débito envolvia a compra de Leandro Damião (os investidores repassaram ao Santos o valor referente a uma das parcelas, que deveria ser entregue ao Internacional, mas o dinheiro foi usado em outras frentes) e a venda de Felipe Anderson ao Lazio, em 2013 – o Doyen ainda não havia recebido o valor que lhe era direito.

A contratação do centroavante, hoje emprestado ao Cruzeiro, está nos holofotes desde que foi fechada. O Doyen investiu 13 milhões de euros (cerca de R$ 44 milhões na cotação atual) para colocá-lo na Vila Belmiro. O acordo obriga o Santos a quitar a dívida em cinco anos, com juros de 10% ao ano. Nada foi pago e, com os acréscimos, o valor já se aproxima dos R$ 50 milhões.

Por fim, há o contrato com a CSU, que gere o Sócio Rei, alvo de críticas da diretoria, que reclama da alta inadimplência no programa. Nesta quinta-feira, o clube anunciou um encontro com membros da empresa para ajustes na relação. A promessa é de que melhorias e novidades sejam relevadas para os torcedores em breve.

– Existem muitos erros, contratos que foram mal feitos e são danosos ao clube. Vamos ter que caminhar para a resolução, seja judicialmente ou em uma situação negociada – diz Modesto.

Os resultados da auditoria podem colocar os ex-presidentes sob investigação no clube.

– Isso é um problema do Conselho Deliberativo e da Comissão de Inquérito e Sindicância. A gente está abrindo os armários. Agora é a hora de começar a dar respostas.

Procurado, Odílio Rodrigues informou que só pretende se manifestar após analisar o parecer da auditoria, o que ainda não aconteceu. A reportagem também fez contato com o escritório de advocacia que representa Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, mas não houve retorno.

Globoesporte.com

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